{"id":381,"date":"2020-10-22T02:14:36","date_gmt":"2020-10-22T02:14:36","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/tartarugas\/?page_id=381"},"modified":"2020-10-23T22:46:17","modified_gmt":"2020-10-23T22:46:17","slug":"uma-conversa-com-denise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/tartarugas\/conversa-com-denise-mota\/uma-conversa-com-denise\/","title":{"rendered":"Uma Conversa com Denise"},"content":{"rendered":"<p>por Ethan Abraham<\/p>\n<p>Quando cheguei ao nosso Zoom para a aula de quarta-feira, n\u00e3o sabia o que esperar. Tinha feito um pouco de pesquisa pr\u00e9via sobre o tema, mas n\u00e3o tinha muito conhecimento.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos por nos apresentar. Denise Mota \u00e9 jornalista. Ela tem um blog chamado Preta, Preto, Pretinhos que \u00e9 publicado pela Folha de S\u00e3o Paulo. Denise disse que estava &#8220;Muito contente de falar com voc\u00eas&#8221;, porque acredita que todos n\u00f3s podemos fazer pequenas diferen\u00e7as nas nossas comunidades e nos nossos arredores. Concordo. Penso que pequenas mudan\u00e7as podem tornar-se grandes mudan\u00e7as se um n\u00famero suficiente de pessoas fizer pequenas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es, Denise definiu todo o vocabul\u00e1rio relevante para n\u00f3s. Muito disto era o mesmo que o vocabul\u00e1rio em ingl\u00eas, e a maioria das palavras era cognatas. N\u00e3o conhecia o termo &#8220;travestis&#8221;, que descreve pessoas que nasceram homens e gostam de se vestir e expressar como mulheres, mas n\u00e3o se identificam como mulheres. Uma coisa importante sobre este termo \u00e9 o artigo. \u00c9 correto dizer &#8220;as&#8221;, e n\u00e3o &#8220;os&#8221; travestis. Ela disse que as pessoas que se identificam como tal s\u00e3o &#8220;mais pr\u00f3ximas do<span style=\"color: #0000ff\"><strong>s<\/strong><\/span> drag queens&#8221;, um termo usado em ingl\u00eas. Ela definiu Mulheres Transexuais e Homens Transexuais, mas eu j\u00e1 estava familiarizado com esta terminologia. No entanto, n\u00e3o conhecia o termo &#8220;transmasculinos&#8221;. Os transmasculinos s\u00e3o pessoas que nasceram mulheres e gostam de se vestir e expressar como homens, mas n\u00e3o se identificam como homens.<\/p>\n<p>Depois do vocabul\u00e1rio, Denise mostrou-nos estat\u00edsticas da viol\u00eancia contra negros, mulheres, e especificamente membros negros da comunidade LGBT+. Fiquei surpreendido com a enorme quantidade de viol\u00eancia que ocorreu. N\u00e3o consigo imaginar o que seria viver sob aquela nuvem de medo. Pior ainda, ela disse que muitas destas estat\u00edsticas s\u00e3o subnotificadas, por medo de repres\u00e1lias. Uma estat\u00edstica que mostrou foi que 99% das pessoas LGBT+ n\u00e3o se sentem seguras no Brasil. Outra coisa realmente surpreendente para mim foi que 90% das travestis e transexuais no Brasil vivem da prostitui\u00e7\u00e3o. Isto torna-as ainda mais vulner\u00e1veis, porque a prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 frequentemente uma profiss\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p>No final da apresenta\u00e7\u00e3o, fiz uma pergunta sobre o efeito do machismo na cultura brasileira. Sabia que a Am\u00e9rica Latina em geral tem pap\u00e9is de g\u00eanero mais tradicionais do que os Estados Unidos. Denise disse que sim, isto torna pior a viol\u00eancia e a rejei\u00e7\u00e3o familiar. Ela tamb\u00e9m mencionou algo que eu n\u00e3o tinha considerado. O Brasil tem expectativas mais tradicionais sobre homens e mulheres: como agem, como se parecem, como soam. Para uma pessoa que deseja fazer a transi\u00e7\u00e3o ou identificar-se como n\u00e3o-cis, este fato torna ainda mais dif\u00edcil encontrar aceita\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos, as pessoas podem julg\u00e1-lo pela sua roupa, mas a maioria das pessoas n\u00e3o espera que mude a sua roupa ou a sua apar\u00eancia exterior. Como homem, posso vestir algo afeminado e ainda ser visto como um homem. No Brasil, os pap\u00e9is de g\u00eanero mais definidos significam que as pessoas est\u00e3o mais presas na sua express\u00e3o exterior. Penso que isto torna mais dif\u00edcil, por exemplo, que uma crian\u00e7a explore com o uso de rosa, ou um vestido, ou qualquer outra forma que deseje expressar-se fora da norma.<\/p>\n<p>Esta conversa foi muito informativa. Revelou-me uma parte da situa\u00e7\u00e3o no Brasil para as pessoas da comunidade LGBT+. Penso que na maioria dos casos, as opini\u00f5es dos outros merecem respeito. Contudo, se algu\u00e9m defende a viol\u00eancia, o \u00f3dio ou o medo contra outro, simplesmente por causa da sua express\u00e3o pessoal, a sua opini\u00e3o merece mudar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ethan Abraham Quando cheguei ao nosso Zoom para a aula de quarta-feira, n\u00e3o sabia o que esperar. Tinha feito um pouco de pesquisa pr\u00e9via sobre o tema, mas n\u00e3o tinha muito conhecimento. Come\u00e7amos por nos apresentar. Denise Mota \u00e9 jornalista. 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