{"id":707,"date":"2019-01-28T20:25:46","date_gmt":"2019-01-28T20:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?p=707"},"modified":"2019-01-31T16:51:53","modified_gmt":"2019-01-31T16:51:53","slug":"zoe-povo-isolado-estrela-nas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/zoe-povo-isolado-estrela-nas-noticias\/","title":{"rendered":"Zo\u2019\u00e9: Povo Isolado, Estrela nas Not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Este trabalho final \u00e9 minha pesquisa sobre o hist\u00f3rico de contato dos Zo&#8217;\u00e9 com brancos e uma analise da presen\u00e7a dos Zo&#8217;\u00e9 nas noticias desde 1982.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Zo\u2019\u00e9: Povo Isolado, Estrela nas Not\u00edcias<\/p>\n<p>O povo ind\u00edgena Zo\u2019\u00e9 \u00e9 considerado uma das ultimas tribos \u201cintactas\u201d da Amaz\u00f4nia. No in\u00edcio do seu contato com os brancos, eram conhecidos como \u201cPotur\u00fas\u201d por causa do adorno labial <em>mberpot<\/em> feito de madeira <em>poturu<\/em> que \u00e9 uma de suas marcas de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. Membros da fam\u00edlia lingu\u00edstica Tupi-Guarani, os Zo\u2019\u00e9 habitam uma regi\u00e3o isolada do rio Cuminapanema no Par\u00e1. Apesar do grande interesse nacional e da forte presen\u00e7a na m\u00eddia durante os primeiros contatos com brancos na d\u00e9cada de 1980 e depois, atualmente, a popula\u00e7\u00e3o conta em torno de 300 \u00edndios Zo\u2019\u00e9 que continuam praticando seu modo de vida ancestral num estado de isolamento relativo (Povos Ind\u00edgenas no Brasil). O programa do governo para sustentar a cultura tradicional, a l\u00edngua, e a estrutura social Zo\u2019\u00e9 teve um grande impacto em rela\u00e7\u00e3o a melhores pr\u00e1ticas e politicas para conservar a identidade ind\u00edgena, o que pode ser aplicado a outras tribos no Brasil. Jo\u00e3o Lobato, chefe da Frente de Prote\u00e7\u00e3o Cuminapanema, descreve as ramifica\u00e7\u00f5es de seu trabalho com os ind\u00edgenas: \u201cO Zo\u2019\u00e9 hoje se constitui ainda numa possibilidade de entendermos e\/ou melhoramos a nossa rela\u00e7\u00e3o com outros povos ind\u00edgenas, que ainda vir\u00e3o, enquanto isolados. E tamb\u00e9m rever a possibilidade de conhecer melhor outros povos\u201d (\u201cMinistro da Justi\u00e7a visita Terra Ind\u00edgena Zo\u00e9\u201d). O povo Zo\u2019\u00e9 representa n\u00e3o somente povos isolados da Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m pode ser considerando como um embaixador das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Acompanhando o hist\u00f3rico de contato com os Zo\u2019\u00e9 atrav\u00e9s de noticias jornal\u00edsticas entre 1982 at\u00e9 o presente, podemos perceber v\u00e1rios conflitos de interesse e de politicas entre os representantes brancos. As pol\u00eamicas nas not\u00edcias revelam a persist\u00eancia de v\u00e1rios problemas enfrentados pelos ind\u00edgenas brasileiros, e permite-nos a compreender melhor o processo de colonialismo e as rela\u00e7\u00f5es entre a sociedade ocidental e sociedades abor\u00edgenes quando os dois grupos se encontram.<\/p>\n<p>O grupo evang\u00e9lico Miss\u00e3o Nova Tribos do Brasil (MNTB) iniciou o primeiro contato prolongado com os Zo\u2019\u00e9 em 1982, embora a tribo j\u00e1 tivesse interagido com garimpeiros e outros trabalhadores florestais. \u00d3rg\u00e3os do governo, incluindo o Instituto de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Social e Ambiento do Par\u00e1 (Idesp) e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), sabiam da presen\u00e7a de ind\u00edgenas na regi\u00e3o remota, mas ainda n\u00e3o tinham se aproximado deles. A Funai, originalmente, pretendia preparar os Zo\u2019\u00e9 para o contato em antecipa\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma rodovia, mas decidiu adiar esse projeto quando a obra foi cancelada por que n\u00e3o havia mais amea\u00e7a para o povo, refletindo a politica de evitar um contato desnecess\u00e1rio com grupos isolados. Com orienta\u00e7\u00e3o de sertanistas locais, mission\u00e1rios norte-americanos da MNTB alcan\u00e7aram o rio Cuminapanema e se aproximaram das aldeias com a inten\u00e7\u00e3o de evangelizar. Relatos dessa primeira tentativa contam que o encontro foi muito tenso e angustiante para os dois lados, ent\u00e3o, a miss\u00e3o retirou-se temporariamente. Depois de alguns anos sobrevoando as aldeias zo\u2019\u00e9 e soltando presentes, a MNTB construiu uma base nomeada Esperan\u00e7a a cinquenta quil\u00f4metros da habita\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Em Novembro de 1987, um grupo de \u00edndios Zo\u2019\u00e9, mulheres e crian\u00e7as tamb\u00e9m, aproximou-se espontaneamente da base evang\u00e9lica e come\u00e7ou a morar no exterior da cerca (Povos Ind\u00edgenas do Brasil). Os mission\u00e1rios incentivaram os Zo\u2019\u00e9 com presentes e comida a adotarem uma vida sedent\u00e1ria e aprender os modos de vida crist\u00e3os.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o comunicou a Funai sobre suas a\u00e7\u00f5es, mas a organiza\u00e7\u00e3o demorou v\u00e1rios anos, depois do estabelecimento da MNTB no territ\u00f3rio Zo\u2019\u00e9, para se manifestar. Infelizmente, como aconteceu depois de inumer\u00e1veis contatos entre amer\u00edndios e brancos na hist\u00f3ria do Brasil, os Zo\u2019\u00e9 adquiriram doen\u00e7as dos mission\u00e1rios, como gripe e mal\u00e1ria, o que resultou num decl\u00ednio de metade da popula\u00e7\u00e3o inicial. Essa epidemia recebeu a aten\u00e7\u00e3o da imprensa em 1989 quando um sertanista visitou as aldeias e denunciou o estado de sa\u00fade dos \u00edndios (Lucena, \u201cSertanista descobre tribo em extin\u00e7\u00e3o). Logo, funcion\u00e1rios da Funai chegaram com vacinas e atendimento m\u00e9dico. Eis que a controv\u00e9rsia entre os dois grupos teve in\u00edcio. A Funai culpou a MNTB pelo risco de vida que foi introduzido aos Zo\u2019\u00e9 quando a Miss\u00e3o desrespeitou a pol\u00edtica de evitar contato com ind\u00edgenas isolados. Em resumo, a Funai entrou com um processo jur\u00eddico para expulsar a miss\u00e3o do territ\u00f3rio zo\u2019\u00e9 e fechou a regi\u00e3o \u00e0s pessoas n\u00e3o-autorizadas (\u201cFunai afasta miss\u00e3o de \u00e1rea ind\u00edgena\u201d).<\/p>\n<p>Cr\u00edticos da Funai n\u00e3o reconhecem que a MNTB carrega toda a responsabilidade a respeito da epidemia zo\u2019\u00e9. A Funda\u00e7\u00e3o demorou um per\u00edodo consider\u00e1vel antes de tomar controle sobre a situa\u00e7\u00e3o e antes de realizar sua fun\u00e7\u00e3o de fornecer medicamentos preventivos. Integrantes da MNTB garantiram que a Funai foi avisada quando iniciaram a expedi\u00e7\u00e3o, e que o ent\u00e3o Presidente Paulo Leal deu seu apoio (\u201cFunai expulsar\u00e1 americanos de \u00e1rea ind\u00edgena\u201d). A Funai tamb\u00e9m s\u00f3 apareceu depois que o assunto tornou-se publico. O sertanista que fez a denuncia original, alegadamente completou a viagem por causa da preocupa\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios (Lucena, \u201cContato com uma nova tribo dos Tupis\u201d). Ailton Krenak, um grande l\u00edder entre na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e \u201cembaixador\u201d para a sociedade brasileira n\u00e3o-ind\u00edgena refere-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o do povo Zo\u2019\u00e9 em seu livro <em>Encontros<\/em>. Krenak descreve como duas semanas depois do contato, os Zo\u2019\u00e9 estavam doentes, e diz: \u201cEstou dando esse exemplo para mostrar que os conflitos mais violentos que ocorrem na sociedade brasileira causam menos estragos que as fagulhas que atingem as nossas comunidades\u201d (95). A realidade do contato \u00e9 que ela foi um ato de viol\u00eancia, mesmo o dano sendo consequ\u00eancia de ignor\u00e2ncia ou de incompet\u00eancia. O Estado est\u00e1 encarregado de garantir o direito \u00e0 vida e a identidade zo\u2019\u00e9. Por mais que a sociedade deva isso aos amer\u00edndios, continua-se a cometer os mesmos erros de antigamente. No final das contas, nenhuma das duas organiza\u00e7\u00f5es, uma governamental e uma privada, tomaram uma inciativa proativa para proteger a sa\u00fade do grupo de rec\u00e9m contato antes que a situa\u00e7\u00e3o virasse uma crise. \u00ad\u00ad\u00ad<\/p>\n<p>Depois que a Funai retirou a MNTB, a Funda\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a controlar vigorosamente quem contactasse este povo. As medidas protetivas para o territ\u00f3rio zo\u2019\u00e9 se intensificaram com o estabelecimento de uma reserva florestal em volta do Territ\u00f3rio Ind\u00edgena (T.I.) Zo\u2019\u00e9 designada como \u201czona de amortecimento de impacto\u201d para defende-los contra doen\u00e7as e agentes biol\u00f3gicos (Weis). \u00a0Enquanto a MNTB lutou contra a a\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a e pressionou o governo para ganhar o direito de continuar seu trabalho com os Zo\u2019\u00e9 (\u201cMiss\u00e3o faz <em>lobby<\/em> para voltar aos Zo-\u00e9\u201d), invas\u00f5es ilegais aumentaram na regi\u00e3o. Estas inclu\u00edram n\u00e3o somente miss\u00f5es crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m \u00edndios de outras etnias, jornalistas, e estrangeiros curiosos com autoriza\u00e7\u00e3o falsa. Por exemplo, em 1996, um casal de europeus entrou na aldeia sem autoriza\u00e7\u00e3o. Foram denunciados \u00e0 pol\u00edcia federal, antes de serem interrogados, e finalmente, deportados. O casal de m\u00e9dicos alegou que tentou durante um m\u00eas entrar na aldeia, mas n\u00e3o conseguiu o aval da Funai nesse tempo (\u201cPF retira estrangeiros de uma aldeia ind\u00edgena\u201d).<\/p>\n<p>No entato, a atitude da Funai para estrangeiros n\u00e3o foi igualit\u00e1ria. A funda\u00e7\u00e3o autorizou a entrada de emissoras de televis\u00e3o, que pagaram pelo direito de filmagem. A Funai afirmou que permite equipes de filmagem, e que cobra pre\u00e7os dependendo do tipo de document\u00e1rio, pois ela detem o direito autoral sobre as imagens dos ind\u00edgenas. Ironicamente, a Funda\u00e7\u00e3o tinha declarado que pretendia iniciar um projeto de des-contato para que os Zo\u2019\u00e9 pudessem ganhar independ\u00eancia (\u201cFunai pretende que o \u00edndio seja independente\u201d), mas a presen\u00e7a de estrangeiros com suas tecnologias sofisticadas tornou-se comum. Um dos projetos bem sucedidos de uma parceria leg\u00edtima entre o cineasta Vincent Carelli e o povo Zo\u2019\u00e9 foi o document\u00e1rio \u201cA Arca dos Zo\u2019\u00e9\u201d. Este v\u00eddeo mostra um interc\u00e2mbio entre \u00edndios Zo\u2019\u00e9 e Wai\u00e3pi, um grupo ind\u00edgena com um hist\u00f3rico mais longo de intera\u00e7\u00e3o com brancos. Os Wai\u00e3pi d\u00e3o dicas e ensinam como lidar com o mundo \u201ccivilizado\u201d fora do territ\u00f3rio protegido dos Zo\u2019\u00e9. Nesta obra, Carelli introduz a ideia de deixar um povo ind\u00edgena com mais experi\u00eancia mediar o contato entre um povo isolado e a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p>Como grupo de rec\u00e9m contato, \u00e9 natural que o p\u00fablico brasileiro se interessasse pelos Zo\u2019\u00e9 por muitas raz\u00f5es: pesquisa cientifica, jornalismo, turismo, e miss\u00e3o religiosa. Tamb\u00e9m devemos considerar a que ponto a curiosidade p\u00fablica torna-se invasiva a ponto de atrapalhar a vida de povos com culturas \u2018ex\u00f3ticas\u2019. Representa\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico geral muitas vezes focalizaram a vida sexual dos Zo\u2019\u00e9. Nessa cultura, a norma \u00e9 de homens e mulheres terem muitos parceiros sexuais desde jovens para encorajar alian\u00e7as. Entre outras, a revista SuperInterssante participou desta fascina\u00e7\u00e3o. No artigo educativo \u201cEles n\u00e3o usam havaianas,\u201d o texto valoriza as tradi\u00e7\u00f5es zo\u2019\u00e9 e incentiva leitores a apreciar as diferen\u00e7as entre culturas, por\u00e9m as fotos que acompanham a mat\u00e9ria mostram uma hist\u00f3ria diferente. A fotografa de Renata Ursaia exibe as partes intimas do corpo de v\u00e1rios Zo\u2019\u00e9, sem mostrar o rosto ou identificar o individuo (88-93). O efeito disso \u00e9 que o corpo do ind\u00edgena Zo\u2019\u00e9\u00a0 \u00e9 objetivado e desumanizado. Por mais que o objetivo seja o de celebrar a diversidade, isso n\u00e3o ocorre sem o exotismo impl\u00edcito.<\/p>\n<p>Esta pratica da Funai de admitir equipes de televis\u00e3o estrangeiras na reserva, que pagam pelo direito de imagem dos \u00edndios, tornou-se um assunto pol\u00eamico muito discutido nos jornais. De uma perspectiva c\u00ednica, a pr\u00e1tica pode parecer como se a Funai levasse vantagem sobre os ind\u00edgenas para satisfazer o olhar externo e gerar lucro. No jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, em 1998, o mateiro Manoel Ferreira de Oliveira e o vereador Valter Marinho, do munic\u00edpio de Oriximin\u00e1, denunciaram a Funai por neglig\u00eancia e pelo tratamento dos Zo\u2019\u00e9 como \u2018pe\u00e7as de museu\u2019 para entreter estrangeiros. Marinho e Oliveira acrescentaram que os ind\u00edgenas eram levados a dan\u00e7ar nus durante dias para canais de televis\u00e3o. Eles tamb\u00e9m reclamaram da injusti\u00e7a no fato de que rep\u00f3rteres podiam entrar na reserva ind\u00edgena, enquanto algumas pessoas supostamente com boas inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o interditadas de se aproximarem (Mendes). O incidente ao qual se referem envolveu mission\u00e1rios e ind\u00edgenas Wai-Wai que invadiram as aldeias zo\u2019\u00e9. Segundo os acusados, o motivo por detr\u00e1s da invas\u00e3o foi o de socorrer o povo que estava em estado de \u201cpen\u00faria, doen\u00e7as, e abandono\u201d (\u201cEstrangeiros pagam para ver Zo\u2019\u00e9\u201d). Respondendo \u00e0 den\u00fancia, o procurador jur\u00eddico da Funai, Evaldo Pinto, afirmou que o \u00f3rg\u00e3o fornece tratamentos peri\u00f3dicos aos Zo\u2019\u00e9. Ademais, Pinto atribui a gripe que foi transmitida pelos tais invasores (\u201cPF vai apurar invas\u00e3o de \u00e1rea ind\u00edgena e suposto abandono dos zo\u00e9\u201d).<\/p>\n<p>Talvez, o melhor resumo das perguntas e da confus\u00e3o em torno desse conflito sobre o acesso e responsabilidade com os Zo\u2019\u00e9 encontra-se nas palavras do procurador do inqu\u00e9rito de invas\u00e3o: \u2018Precisamos saber quem est\u00e1 mentindo e quem est\u00e1 falando a verdade sobre o abandono dos zo\u00e9\u2019 (Ibid). Um leitor que desconfia das inten\u00e7\u00f5es dos mission\u00e1rios, n\u00e3o pode deixar de questionar tamb\u00e9m as pr\u00e1ticas da Funai. A disputa entre a Funai e as miss\u00f5es \u00e9 uma luta de poder, o que gera uma situa\u00e7\u00e3o competitiva em que os dois grupos tentam alcan\u00e7ar \u00edndios isolados o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para prevenir a interfer\u00eancia um do outro. Estes eventos provocam perguntas sobre quem tem o direito de representar um povo ind\u00edgena e de fazer decis\u00f5es em seu nome. Por um lado, a forte presen\u00e7a do governo controlando toda rela\u00e7\u00e3o da tribo de recente contato com o mundo externo pode ser considerada paternalista, pois os ind\u00edgenas s\u00e3o efetivamente tratados como crian\u00e7as ing\u00eanuas, facilmente manipuladas que n\u00e3o conseguem agir no seu melhor interesse. Por outro lado, a experi\u00eancia de outros povos ind\u00edgenas mostra que a intera\u00e7\u00e3o descontrolada com brancos teve efeitos devastadores para a sobreviv\u00eancia do povo e sua cultura. Embora a fun\u00e7\u00e3o dos \u00edndios Wai\u00e3pi no document\u00e1rio \u201cA Arca dos Zo\u2019\u00e9\u201d apresente uma alternativa interessante, na qual outras na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas poderiam ajudar o grupo de rec\u00e9m contato a enfrentar esse per\u00edodo cr\u00edtico de transi\u00e7\u00e3o social, o envolvimento duvidoso dos Wai-Wai com mission\u00e1rios em expedi\u00e7\u00f5es invasivas demonstra a import\u00e2ncia do mediador ser um agente imparcial sem segundas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Numa carta defendendo a Funai, a indigenista Rosa Cartagenes avisa sobre os perigos da influ\u00eancia proselitista para os Zo\u2019\u00e9 e de como isto distorce a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A carta aponta para a circula\u00e7\u00e3o de imagens manipuladas, mostrando \u00edndios Zo\u2019\u00e9 indigentes \u201cclaramente induzidos \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do remoque \u2018Funai n\u00e3o d\u00e1&#8230;,\u2019\u201d (Carneiro). Estes v\u00eddeos s\u00e3o encenados para criar uma impress\u00e3o falsa sobre a condi\u00e7\u00e3o dos Zo\u2019\u00e9. Ela assegura que os Zo\u2019\u00e9 s\u00e3o livres para sair da T.I. e diz que \u201co discurso dos Zo\u2019\u00e9 como \u2018prisioneiros\u2019 tem sido tendenciosamente baseado em perspectivas proselitistas.\u201d Assim, relatos de que a Funai controla os ind\u00edgenas deturpariam o estado verdadeiro do grupo e debilitaria o trabalha do \u00f3rg\u00e3o. Contudo, a indigenista admite que os Zo\u2019\u00e9 s\u00e3o encorajados a permanecerem na reserva, porque fora do territ\u00f3rio protegido pelo governo existem muitos riscos, inclusive \u201cfan\u00e1ticos religiosos&#8230; capazes de qualquer tipo de estrat\u00e9gia ou alian\u00e7a escusa para propagarem sua \u2018f\u00e9\u2019\u201d (Ibid). Com isso ela argumenta que as reclama\u00e7\u00f5es de que os Zo\u2019\u00e9 est\u00e3o presos na T.I. fazem parte de uma estrat\u00e9gia das miss\u00f5es para disseminar suas cren\u00e7as. Caragenes descreve como as miss\u00f5es reagiram \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de fazerem seu trabalho de maneira transparente. \u201cDesde sua expuls\u00e3o da T.I. [mission\u00e1rios] t\u00eam patrocinado e efetivado diversas invas\u00f5es ao territ\u00f3rio Zo\u2019\u00e9, sempre com o intuito de alici\u00e1-los e atra\u00ed-los para \u2018fora\u2019 \u2013 onde supostamente poderiam, \u00e0 margem da lei, \u2018evangeliz\u00e1-los\u2019 \u00e0 vontade\u201d (Ibid). Grupos proselitistas t\u00eam utilizado m\u00e9todos enganosos para alcan\u00e7ar os Zo\u2019\u00e9, inclusive o envolvimento de outros grupos ind\u00edgenas como intermedi\u00e1rios. Caragenes explica que, \u201c[miss\u00f5es] t\u00eam manipulado como pontas-de-lan\u00e7a ind\u00edgenas cristianizados de outras etnias do entorno, como os Wai-Wai e os Tiryi\u00f3\u201d (Ibid). Como tamb\u00e9m s\u00e3o \u00edndios e habitam uma \u00e1rea pr\u00f3xima, eles n\u00e3o s\u00e3o sujeitos ao mesmo n\u00edvel de policiamento, ent\u00e3o conseguem trazer a influ\u00eancia da igreja at\u00e9 as aldeias. Esse foi o caso dos aliados Wai-Wai de Marinho e Oliveira na invas\u00e3o da T.I. Zo\u2019\u00e9, em 1998.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso explicar por que agentes da Funai e outros indigenistas consideram evangeliza\u00e7\u00e3o na T.I. Zo\u2019\u00e9 uma amea\u00e7a. Caragenes usa o exemplo do povo Guarani para convencer do fato de que a presen\u00e7a crist\u00e3 de fora n\u00e3o \u00e9 beneficial para os Zo\u2019\u00e9. Por mais que os Guarani sejam considerados como \u201cintegrados\u201d na sociedade nacional, muitos vivem abaixo da linha da pobreza e \u2018sob amea\u00e7a permanente de genoc\u00eddio\u2019. Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3 necessariamente exige conforma\u00e7\u00e3o a regras e a um sistema social estrangeiro ao custo da cultura tradicional. Rosa Caragenes concorda com o sentimento comum de que \u00e9 imposs\u00edvel realmente integrar ind\u00edgenas, pois os \u00edndios que sobreviveram \u00e0 sa\u00edda de suas infraestruturas socioecon\u00f4mica ancestrais s\u00e3o iniciados em uma sociedade discriminat\u00f3ria e capitalista. Ela conta que \u201ch\u00e1 comunidades Guarani com at\u00e9 10 igrejas de \u2018seitas evang\u00e9licas\u2019&#8230; em meio a sua mis\u00e9ria\u201d (Carneiro). Apesar do processo efetivo de cristianiza\u00e7\u00e3o e suposta exist\u00eancia \u201caculturada\u201d, a popula\u00e7\u00e3o Guarani tem o maior \u00edndice de suic\u00eddio entre jovens, o que mostra uma falta de esperan\u00e7a difundida. Isso \u00e9 a comprova\u00e7\u00e3o de que o acesso \u00e0 religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o caminho para o bem estar do povo, porque fragmenta os valores da comunidade em vez de proteger a etnia.<\/p>\n<p>Por mais que interesses de grupos privados tenham sido um obst\u00e1culo para o trabalho da Funai com os Zo\u2019\u00e9, o problema de maior import\u00e2ncia \u00e9 o conflito que est\u00e1 surgindo entre as vontades dos ind\u00edgenas e as a\u00e7\u00f5es do governo. Os Zo\u2019\u00e9 exprimem sua curiosidade e ansiedade de conhecer o mundo de fora, mas a Funai ainda n\u00e3o liberou a aproxima\u00e7\u00e3o. S\u00e3o amig\u00e1veis e muito curiosos para conhecer visitantes, mas o influxo de estranhos introduzem os Zo\u2019\u00e9 a lugares que n\u00e3o podem acessar. O site oficial do Instituto Socioambiental confirma que desde que os Zo\u2019\u00e9 aceitaram uma conviv\u00eancia com os brancos, a partir de 1987, eles desejam expandir seu contato e conhecer outros \u00edndios, assim como ter mais acesso \u00e0 tecnologia (Povos Ind\u00edgenas do Brasil). Quando o Ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro, desceu do avi\u00e3o na T.I., um Zo\u2019\u00e9 perguntou \u201cBras\u00edlia grande? Bras\u00edlia bonita? (Recondo). A chegada de pessoas de fora nas aldeias desperta nos \u00edndios um desejo de tamb\u00e9m viajar e explorar o mundo de fora.<\/p>\n<p>Rosa Cartagenes relaciona esse desejo \u00e0 falta de anci\u00e3os nessa comunidade, relativamente jovem e inexperiente. Ela cita, \u201cmais de 75% de sua popula\u00e7\u00e3o tem menos de 25 anos \u2013 massa explosiva e \u2018hormonal\u2019, com a \u00e2nsia leg\u00edtima de tudo ver, tudo conhecer, tudo querer. As press\u00f5es externas e internas t\u00eam sido muitas e crescentes\u201d (Carneio). Embora ela fa\u00e7a uma observa\u00e7\u00e3o astuta sobre a demografia dos Zo\u2019\u00e9, esta perspectiva subvaloriza a capacidade dos ind\u00edgenas como pensadores independentes. Uma vez que o povo aprendeu sobre a exist\u00eancia de um modo de viver completamente diferente do seu, n\u00e3o \u00e9 real\u00edsta ou \u00e9tico esperar que eles ignore essa informa\u00e7\u00e3o. Apesar disso, indigenistas e antrop\u00f3logos concordam que o governo precisa intervir para ajudar os Zo\u2019\u00e9 a desenvolverem sua pr\u00f3pria criticidade face o mundo externo para compreender os caminhos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o sem precedente continua sendo um desafio para o governo brasileiro. Nunca antes a Funai teve condi\u00e7\u00f5es ou o papel de preparar um grupo ind\u00edgena para o contato independente. Tarso Genro resumiu a atual politica oficial a respeito de povos isolados. \u201cN\u00e3o se procura contato para que n\u00e3o haja interfer\u00eancia, mas se os \u00edndios quiserem o contato, a Funai deve medi\u00e1-lo para que n\u00e3o seja devastador,\u201d disse o ministro ap\u00f3s sua visita \u00e0 T.I. (Recondo). Embora os objetivos do contato mediado sejam definidos, Jo\u00e3o Lobato diz que n\u00e3o existe \u201cf\u00f3rmula matem\u00e1tica\u201d para guiar o grau ou per\u00edodo do envolvimento estadual. A Funai prop\u00f4s um programa de dez anos, em 2009, para fortalecer a cultura zo\u2019\u00e9 e educar os ind\u00edgenas sobre o resultado do contato para outras etnias para que eles se informem e consigam fazer decis\u00f5es informadas.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, o povo Zo\u2019\u00e9 \u00e9 um dos raros exemplos de uma na\u00e7\u00e3o amer\u00edndia em que toda etapa de seu contato com n\u00e3o-ind\u00edgenas foi acompanhada de perto por especialistas. Continua a ser questionado at\u00e9 que ponto este processo foi efetivo, mas trata-se de uma dos primeiros projetos antropol\u00f3gicos de contato gradual, com \u00eanfase na preserva\u00e7\u00e3o da cultura tradicional enquanto permite aos Zo\u2019\u00e9 escolherem o tipo de rela\u00e7\u00e3o que querem com o mundo de fora. Embora a m\u00eddia tenha participado ativamente, desde os primeiros anos do contato, o que levou a muitas opini\u00f5es e criticas p\u00fablicas sobre o trabalho da Funai, o interesse internacional teve bons impactos. A antrop\u00f3loga Dominique Gallois avaliou numa entrevista, \u201cConseguiu-se aqui, gra\u00e7as \u00e0 atra\u00e7\u00e3o que os zo\u2019\u00e9 conseguem ter em termos de imagem, uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o que deveria ser a regra\u201d (Recondo). Como figuras p\u00fablicas, os Zo\u2019\u00e9 aumentam a consci\u00eancia sobre muitos assuntos importantes para os ind\u00edgenas como a preserva\u00e7\u00e3o de identidades \u00e9tnicas de minorias, o direito ind\u00edgena de terras ancestrais, e a conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Al\u00e9m do mais, a rela\u00e7\u00e3o complexa entre a Funai, MNTB, e outros grupos com interesse privado com os Zo\u2019\u00e9 incentiva discuss\u00f5es cr\u00edticas, considerando-se as responsabilidades e as pr\u00e1ticas para garantir um futuro digno e de crescimento para todo o povo ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<ol>\n<li>A Arca dos Zo\u2019\u00e9. Dir Vincent Carelli. 1993.<\/li>\n<li>Brasil. Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio. \u201cMinistro da Justi\u00e7a visita Terra Ind\u00edgena Zo\u00e9.\u201d Funai. Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, 22 Junho 2009. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 10 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>Carneiro, Jeso. Carta de Rosa Cartagenes. \u201cOs Zo\u2019\u00e9 n\u00e3o vivem numa \u201credoma\u201d. Blog do Jeso. 05 Dezembro 2010. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 08 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cEstrangeiros pagam para ver Zo\u2019\u00e9\u201d. <em>O Liberal <\/em>(Bel\u00e9m) 24 Agosto 1998. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 10 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cFunai afasta miss\u00e3o de \u00e1rea ind\u00edgena\u201d. O Liberal (Bel\u00e9m) 17 Mar\u00e7o 1989. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cFunai expulsar\u00e1 americanos de \u00e1rea ind\u00edgena\u201d. <em>O Globo<\/em> (Rio de Janeiro) 16 Mar\u00e7o 1989: 10. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cFunai pretende que \u00edndio seja independente\u201d. Folha de S\u00e3o Paulo 20 Dezembro 1992: 14. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>Krenak, Ailton. Encontros, 95. Ed. S\u00e9rgio Cohn. 2015. 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Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cPF retira estrangeiros de uma aldeia ind\u00edgena.\u201d O Liberal (Bel\u00e9m) 14 Agosto 1996. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>\u201cPF vai apurar invas\u00e3o da \u00e1rea ind\u00edgena e suposto abandono dos zo\u2019\u00e9\u201d. Di\u00e1rio Com\u00e9rcio &amp; Ind\u00fastria (S\u00e3o Paulo) 27 Agosto 1998. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 10 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>Povos Ind\u00edgenas no Brasil. \u201cZo\u2019\u00e9.\u201d Instituto Socioambiental. Web. 14 Janeiro, 2019<\/li>\n<li>Recondo, Felipe. \u201cIsolados, \u00edndios da etnia zo\u00e9 s\u00e3o desafio para a Funai.\u201d <em>O Estado de S\u00e3o Paulo <\/em>28 Junho 2009: A14. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 10 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>Ursaia, Rentata, S\u00e9rgio Gwercman, e Bianca Grassetii. \u201cEles n\u00e3o usam havaianas\u201d. Conex\u00e3o Superinteressante, Julho 2004: 88-93. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 10 Janeiro 2018.<\/li>\n<li>Weis, Bruno. \u201cMPF quer que plano de manejo de floresta ajude a evitar mal\u00e1ria entre os Zo\u2019\u00e9\u201d. Instituto Socioambiental NSA 19 Janeiro 2007. Povos Ind\u00edgenas do Brasil ISA Not\u00edcias Zo\u2019\u00e9. Web. 14 Janeiro 2018.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este trabalho final \u00e9 minha pesquisa sobre o hist\u00f3rico de contato dos Zo&#8217;\u00e9 com brancos e uma analise da presen\u00e7a dos Zo&#8217;\u00e9 nas noticias desde 1982. &nbsp; Zo\u2019\u00e9: Povo Isolado, Estrela nas Not\u00edcias O povo ind\u00edgena Zo\u2019\u00e9 \u00e9 considerado uma das ultimas tribos \u201cintactas\u201d da Amaz\u00f4nia. 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