{"id":644,"date":"2019-01-15T16:28:32","date_gmt":"2019-01-15T16:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?p=644"},"modified":"2019-01-31T16:34:34","modified_gmt":"2019-01-31T16:34:34","slug":"tutelagem-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/tutelagem-moderna\/","title":{"rendered":"Tutelagem Moderna?"},"content":{"rendered":"<p>As noticias da d\u00e9cada de 1990 sobre o direito das pessoas brancas visitarem o grupo ind\u00edgena Zo\u2019\u00e9\u00a0 evidencia a continua\u00e7\u00e3o do sistema tutelar, ou, pelo menos, do paternalismo. Como grupo de rec\u00e9m contato, \u00e9 natural que o p\u00fablico ficasse interessado nos Zo\u2019\u00e9 por muitas raz\u00f5es: pesquisa cientifica, jornalismo, turismo, e miss\u00e3o religiosa. Por causa de um surto de doen\u00e7as, que recebeu muita cobertura da m\u00eddia, a Funai expulsou a Miss\u00e3o Novas Tribos, que tinha iniciado o primeiro contato com os ind\u00edgenas das aldeias Zo\u2019\u00e9. Desde ent\u00e3o, a Funai colocou um agente para controlar quem contactasse este povo.<\/p>\n<p>Por exemplo, em 1996, um casal de estrangeiros entrou na aldeia sem autoriza\u00e7\u00e3o. Eles foram denunciados \u00e0 pol\u00edcia federal, antes de serem interrogados e, finalmente, deportados. O casal de m\u00e9dicos alegou que tentou durante um m\u00eas entrar na aldeia, mas n\u00e3o conseguiu o aval da Funai naquele momento.<\/p>\n<p>No entanto, a atitude da Funai para com estrangeiros n\u00e3o \u00e9 igualit\u00e1ria. O \u00f3rg\u00e3o autorizou a entrada de emissoras de televis\u00e3o, que pagaram pelo direito de filmagem. A Funai afirmou que cobra pre\u00e7os, dependendo do tipo de document\u00e1rio. Ironicamente, a Funda\u00e7\u00e3o tinha declarado que pretendia iniciar um projeto de descontato para que os Zo\u2019\u00e9 pudessem garantir sua independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para cr\u00edticos da Funda\u00e7\u00e3o, essa pr\u00e1tica parece um circo que leva vantagem dos ind\u00edgenas. \u00a0O vereador do munic\u00edpio de Oriximin\u00e1 denunciou, em 1998, a Funai pela negligencia e pelo tratamento dos Zo\u2019\u00e9 como \u2018pe\u00e7as de museu\u2019 para entreter estrangeiros. Segundo essa fonte, \u201cmission\u00e1rios e os \u00edndios Wai-Wai, que tentam socorr\u00ea-los [os zo\u2019\u00e9]\u201d s\u00e3o interditados de entrarem na aldeia. Estes eventos levantam perguntas sobre quem tem o direito de representar um povo ind\u00edgena e fazer decis\u00f5es em seu nome. Grupos de contato recente s\u00e3o efetivamente tratados como crian\u00e7as ing\u00eanuas, que precisam da guarda do governo porque n\u00e3o conhecem o suficiente para lidarem sozinhos com o mundo exterior. Tamb\u00e9m devemos considerar a que ponto a curiosidade publica torna-se invasiva, a ponto de atrapalhar a vida de povos com culturas &#8220;ex\u00f3ticas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As noticias da d\u00e9cada de 1990 sobre o direito das pessoas brancas visitarem o grupo ind\u00edgena Zo\u2019\u00e9\u00a0 evidencia a continua\u00e7\u00e3o do sistema tutelar, ou, pelo menos, do paternalismo. Como grupo de rec\u00e9m contato, \u00e9 natural que o p\u00fablico ficasse interessado nos Zo\u2019\u00e9 por muitas raz\u00f5es: pesquisa cientifica, jornalismo, turismo, e miss\u00e3o religiosa. 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