{"id":363,"date":"2018-12-21T04:48:49","date_gmt":"2018-12-21T04:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?p=363"},"modified":"2019-01-05T22:47:31","modified_gmt":"2019-01-05T22:47:31","slug":"os-guajajara-short-paper-uma-exploracao-narrativa-pt-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/os-guajajara-short-paper-uma-exploracao-narrativa-pt-2\/","title":{"rendered":"Os Guajajara: [Di\u00e1rio de Viagem] Uma Explora\u00e7\u00e3o Narrativa, Parte 2"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-decoration: underline\">5 de dezembro de 2017 \u2013 Povoado Cana-Brava, Munic\u00edpio de Maranh\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Bom dia, pessoal! Desculpem a falta de entradas durante estes \u00faltimos dias; eu tenho estado muito mais ocupado do que antes imaginava, gra\u00e7as ao Ze\u2019e e ao resto da comunidade. Tem sido uma semana bastante instrutiva, tanto para a minha pesquisa como para o meu objetivo de conhecer melhor este povo, e estou empolgado para compartilhar as minhas hist\u00f3rias com voc\u00eas!<\/p>\n<p>Eu passei os primeiros dias da semana aprendendo mais sobre o sistema agr\u00edcola do qual estes fazendeiros participam. Infelizmente, como expliquei na minha \u00faltima entrada, ainda n\u00e3o est\u00e1 na \u00e9poca de colheita. Por isso, depois dum <em>crash course<\/em> (como dizem os Americanos!) sobre os seus produtos importantes, vi de primeira m\u00e3o como esses bens s\u00e3o vendidos. O Andr\u00e9, um agricultor que vive em Cana Brava, levou-me a v\u00e1rios destinos perto da aldeia onde ele normalmente troca as suas mercadorias; paramos em todo o tipo de lugar, duma cabana isolada no meio do mato a Tut\u00f3ia, uma cidade ribeirinha que depende dos seus vizinhos para arroz, mandioca, e outros bens comerciais.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Foi interessante observar as intera\u00e7\u00f5es entre o Andr\u00e9 e os membros destas comunidades; apesar de n\u00e3o pertencerem ao mesmo grupo, existe uma rela\u00e7\u00e3o simultaneamente am\u00e1vel e respeitosa entre todos, talvez devido \u00e0 vida semiperif\u00e9rica que eles compartilham.<\/p>\n<p>Nos dias seguintes, entretanto, mudamos de tem\u00e1tica. Quando falamos a semana passada, o Ze\u2019e notou o meu interesse na \u201cexperi\u00eancia Guajajara\u201d. Por isso, ele resolveu ajudar-me a aprender um pouco mais sobre a cultura, come\u00e7ando com a l\u00edngua. Segundo ele, muitos Guajajara sabem falar portugu\u00eas (ainda bem, se n\u00e3o eu estaria numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil!); este idioma serve como uma l\u00edngua franca, principalmente nos neg\u00f3cios comerciais.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Mas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m t\u00eam uma l\u00edngua utilizada exclusivamente entre eles. Esta foi o idioma que eu comecei a aprender.<\/p>\n<p>N\u00f3s come\u00e7amos com elementos b\u00e1sicos: bom-dia (<em>\u00e7an\u00e9 cu\u00eam<\/em>), boa-noite (<em>\u00e7an\u00e9 caroc<\/em>), e outras frases uteis para qualquer visitante na comunidade.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Esta l\u00edngua n\u00e3o tem nada a ver com o portugu\u00eas nem com o ingl\u00eas, ent\u00e3o esta primeira parte foi bastante dif\u00edcil. De vez em quando, para variar um pouco, ele mostrava-me alguns documentos traduzidos para o Guajajara, o mais interessante sendo uma copia da B\u00edblia Sagrada.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Isto levou a outra transi\u00e7\u00e3o em foco; depois de uns dias praticando o idioma da comunidade, comecei a aprender um pouco sobre a sua f\u00e9 tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>Antes do colonialismo, 100% dos Guajajara participavam no mesmo sistema cosmol\u00f3gico, o qual segue um formato t\u00edpico entre os povos Tupi-Guarani. Como outras tribos deste grupo, os Guajajara acreditam em Ma\u00edra, um deus que criou a ra\u00e7a humana e os esp\u00edritos e seres sobrenaturais chamados de <em>karowara<\/em>.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Nesta \u00e9poca, ainda havia uma \u00eanfase not\u00e1vel no ritual e no xamanismo; infelizmente, os portugueses trouxeram a sua religi\u00e3o consigo quando vieram para c\u00e1. Hoje em dia, 60% da popula\u00e7\u00e3o considera-se crist\u00e3, enquanto os outros 40% (que inclui o Ze\u2019e e a sua tribo) ainda seguem a tradi\u00e7\u00e3o original.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Por acaso, ele hoje convidou-me a participar na <em>awashire-wehuhau<\/em>, a Festa do Milho, quando chegar a \u00e9poca das chuvas; a melhor forma de aprender \u00e9 atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o esta ser\u00e1 uma experi\u00eancia bastante informativa.<\/p>\n<p>Bem, estes \u00faltimos dias foram cansativos, mas a pr\u00f3xima semana ser\u00e1 at\u00e9 mais cheia! Fui convidado para uma reuni\u00e3o dos caciques do Maranh\u00e3o e o Ze\u2019e prometeu introduzir-me a eles todos! Antes disso, entretanto, preciso descansar e refletir um pouco sobre estas primeiras semanas. Eu n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto estas experi\u00eancias v\u00e3o ajudar-me a escrever a minha tese, mas eu sei uma coisa de certeza: eu estou ansioso para ver at\u00e9 onde o resto do meu tempo entre os Guajajara vai levar-me. At\u00e9 j\u00e1!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Bibliografia:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li>\u201cGuajajara.\u201d Language Museum. Accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018. <a href=\"http:\/\/www.language-museum.com\/encyclopedia\/g\/guajajara.php\">http:\/\/www.language-museum.com\/encyclopedia\/g\/guajajara.php<\/a>.<\/li>\n<li>&#8220;Guajajara.&#8221; Povos Ind\u00edgenas do Brasil. Accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018. <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guajajara\">https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guajajara<\/a>.<\/li>\n<li>\u201cGuajajara in Brazil.\u201d Joshua Project. Accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018. <a href=\"https:\/\/joshuaproject.net\/people_groups\/11951\/BR\">https:\/\/joshuaproject.net\/people_groups\/11951\/BR<\/a>.<\/li>\n<li>Vocabul\u00e1rio Guajajara.\u201d Vocabul\u00e1rio e dicion\u00e1rios de l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras. Accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018. <a href=\"http:\/\/www.geocities.ws\/indiosbr_nicolai\/guajajara1.html\">http:\/\/www.geocities.ws\/indiosbr_nicolai\/guajajara1.html<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Notas de rodap\u00e9:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Eu tamb\u00e9m encontrei esta aldeia usando o Google Maps.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> &#8220;Guajajara,&#8221; Povos Ind\u00edgenas do Brasil, accessed September 26, 2018, https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guajajara.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cVocabul\u00e1rio Guajajara,\u201d Linguas Ind\u00edgenas Brasileiras, accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018, <a href=\"http:\/\/www.geocities.ws\/indiosbr_nicolai\/guajajara1.html\">http:\/\/www.geocities.ws\/indiosbr_nicolai\/guajajara1.html<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> O texto que me inspirou a escrever esta parte est\u00e1 dispon\u00edvel aqui: <a href=\"http:\/\/www.language-museum.com\/encyclopedia\/g\/guajajara.php\">http:\/\/www.language-museum.com\/encyclopedia\/g\/guajajara.php<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> &#8220;Guajajara,&#8221; Povos Ind\u00edgenas do Brasil, accessed September 26, 2018, https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guajajara.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Guajajara in Brazil,\u201d Joshua Project, accessed October 18<sup>th<\/sup>, 2018, <a href=\"https:\/\/joshuaproject.net\/people_groups\/11951\/BR\">https:\/\/joshuaproject.net\/people_groups\/11951\/BR<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5 de dezembro de 2017 \u2013 Povoado Cana-Brava, Munic\u00edpio de Maranh\u00e3o Bom dia, pessoal! Desculpem a falta de entradas durante estes \u00faltimos dias; eu tenho estado muito mais ocupado do que antes imaginava, gra\u00e7as ao Ze\u2019e e ao resto da comunidade. Tem sido uma semana bastante instrutiva, tanto para a minha pesquisa como para o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/os-guajajara-short-paper-uma-exploracao-narrativa-pt-2\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":806,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[13],"class_list":["post-363","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-guajajara","post-preview"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/806"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=363"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":416,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363\/revisions\/416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}