{"id":696,"date":"2019-01-20T22:23:43","date_gmt":"2019-01-20T22:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?page_id=696"},"modified":"2019-01-20T22:23:43","modified_gmt":"2019-01-20T22:23:43","slug":"krenak-uma-historia-de-trauma-e-resiliencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/outros-textos\/krenak-uma-historia-de-trauma-e-resiliencia\/","title":{"rendered":"Krenak: Uma Hist\u00f3ria de Trauma e Resili\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Krenak: Uma Hist\u00f3ria de Trauma e Resili\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>por Bruno Fernandes<\/strong><\/p>\n<p>30 Novembro 2018<\/p>\n<p>No seu filme <em>Krenak<\/em> (2017), o realizador Rog\u00e9rio Correia apresenta os Borum (autodenomina\u00e7\u00e3o dos Krenak) e sua experi\u00eancia coletiva carregada de sofrimento atrav\u00e9s de personagens como Douglas Krenak e sua fam\u00edlia. O filme revisita as v\u00e1rias fases do genoc\u00eddio desse povo que, apesar de ser declarado extinto v\u00e1rias vezes, permanece hoje com pouco mais de 400 pessoas. Apesar do filme ser feito depois da \u201cmorte\u201d catastr\u00f3fica do Rio Doce, os esfor\u00e7os coletivos dos Krenak deixam-nos com esperan\u00e7a pela sobreviv\u00eancia da cultura e cosmologia desse povo ferido mas n\u00e3o morto.<\/p>\n<p>O povo Krenak do Rio Doce, MG, tem uma hist\u00f3ria extensa de explora\u00e7\u00e3o, viola\u00e7\u00e3o, e destrui\u00e7\u00e3o que tem suas origens no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX quando o governo portugu\u00eas declarou uma s\u00e9rie de \u201cguerras justas\u201d com fim de exterminar os Botocudo, dos quais os Krenak s\u00e3o os \u00faltimos sobreviventes. Os Krenak eram considerados dem\u00f4nios canibais e, quando a reeduca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 obrigat\u00f3ria n\u00e3o era suficiente, os oficiais portugueses que tomaram posse da regi\u00e3o, escravizaram e mataram quem queriam. Com a uni\u00e3o brasileira no poder, a persegui\u00e7\u00e3o dos sobreviventes continuou. Terras pr\u00f3ximas ao Rio Doce foram distribu\u00eddas a mineiros e fazendeiros com o objetivo de explorar os recursos naturais e integrar a regi\u00e3o sob o dom\u00ednio do governo brasileiro. Para refor\u00e7ar esta pol\u00edtica expansionista, o governo instalou postos militares com o prop\u00f3sito de \u201cajustar\u201d os \u00edndios \u00e0 sociedade brasileira, prendendo, deslocando e exterminando quem resistisse. Tanto a l\u00edngua Krenak quanto a sua religi\u00e3o passaram a ser proibidas. A tentativa sistem\u00e1tica de matar a cultura dos Krenak chegou ao seu \u00e1pice quando o governo militar os expulsou de suas terras.<\/p>\n<p>Os Krenak foram deslocados \u00e0 for\u00e7a para as terras dos Maxakal\u00ed, onde n\u00e3o eram bem vindos. Ali, eles n\u00e3o tinham seus alimentos culturais, e foram fundamentalmente desenraizados de suas terras originais. \u201cPara morrer na aldeia dos outros \u00e9 melhor morrer na estrada,\u201d diz uma mulher idosa Krenak no filme, lembrando o desespero que afetou o seu povo quando perderam suas terras, que continham os esp\u00edritos dos antepassados e onde viviam h\u00e1 milhares de anos. Sem a presen\u00e7a dos Krenak, as montanhas ficaram expostas a serem destru\u00eddas, e seus minerais eram lan\u00e7ados continuamente no mercado global\u2013um processo tipificado pelo trem que passa pela montanha todos os dias carregado de material.<\/p>\n<p>Apesar de estarem sem terra, uma condi\u00e7\u00e3o considerada equivalente \u00e0 morte por v\u00e1rios pensadores ind\u00edgenas, e a morte do rio, um elemento central na cosmologia ind\u00edgena e o pilar das terras origin\u00e1rias, os Krenak ainda conseguem olhar para o futuro. O filme mostra escolas comunit\u00e1rias que ensinam a l\u00edngua e transmitem as can\u00e7\u00f5es que recontam os mitos sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo para os Krenaks mais jovens, muitos deles moradores das cidades. Para os Krenak, tanto o Rio Doce quanto o sonho de um dia voltar \u00e0s suas terras continua vivo. Resili\u00eancia \u00e9 uma palavra que tem a tend\u00eancia de romantizar o sofrimento de gente marginalizada, mas neste caso \u00e9 aplic\u00e1vel. Apesar de serem sujeito de genoc\u00eddio h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos, a comunidade Krenak continua vibrante por causa do esfor\u00e7o coletivo de pessoas como Douglas e numerosas outras pessoas al\u00e9m das que s\u00e3o apresentadas no filme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Krenak: Uma Hist\u00f3ria de Trauma e Resili\u00eancia por Bruno Fernandes 30 Novembro 2018 No seu filme Krenak (2017), o realizador Rog\u00e9rio Correia apresenta os Borum (autodenomina\u00e7\u00e3o dos Krenak) e sua experi\u00eancia coletiva carregada de sofrimento atrav\u00e9s de personagens como Douglas Krenak e sua fam\u00edlia. 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