{"id":686,"date":"2019-01-20T21:41:07","date_gmt":"2019-01-20T21:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?page_id=686"},"modified":"2019-01-20T21:41:07","modified_gmt":"2019-01-20T21:41:07","slug":"filme-xingu-um-lugar-no-mundo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/outros-textos\/filme-xingu-um-lugar-no-mundo\/","title":{"rendered":"Filme &#8220;Xingu&#8221;: Um Lugar no Mundo."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Filme <em>Xingu<\/em>: Um Lugar no Mundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Karina Aguilar Guerrero<\/p>\n<p>Setembro 28, 2018<\/p>\n<p>Nossas aventuras come\u00e7aram nos anos 1940. O governo brasileiro montou uma equipe de pessoas aventureiras dispostas a explorar, mas desde o in\u00edcio, o processo de reunir esse grupo foi um pouco estranho. Eu vi um jovem tirar os \u00f3culos e escond\u00ea-los antes de se inscrever. Mais tarde, soube que seu nome era Claudio Villas Boas, e que ele era, na verdade, \u00a0um homem muito bem educado, embora fingisse n\u00e3o saber ler. Isso me fez questionar o processo de recrutamento. Havia uma raz\u00e3o pela qual ele sentia a necessidade de esconder sua educa\u00e7\u00e3o? Que motivos o governo poderia ter para n\u00e3o querer pessoas educadas na expedi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Ao falar com Claudio, achei interessante que, desde o in\u00edcio, seu motivo para participar da expedi\u00e7\u00e3o fosse &#8220;encontrar de um lugar no mundo&#8221;, porque muito do que aconteceu depois foi sobre o deslocamento (00:28). Toda a expedi\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o da reserva do Xingu resultaram no deslocamento de pessoas de um lugar que elas j\u00e1 chamavam de seu &#8211; um lugar que j\u00e1 lhes pertencia &#8211; e ajud\u00e1-las a encontrar um novo lugar em um mundo que muitas vezes n\u00e3o os apreciava nem respeitava. (muito boa observa\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A ideia de pertencer \u00e9 algo sobre o qual eu pensava muito quando nos aventur\u00e1vamos na floresta. Algu\u00e9m chamou nossa miss\u00e3o \u201cuma expedi\u00e7\u00e3o para penetrar as terras desconhecidas do Brasil central\u201d e penetrar \u00e9 realmente o termo mais preciso para o que acabamos fazendo (00:42). Penetrar significa entrar, acessar o interior de um espa\u00e7o mesmo que haja dificuldade, \u00e9 fazer-se sentir com viol\u00eancia ou intensidade. Por melhores que tivessem sido nossas inten\u00e7\u00f5es, as doen\u00e7as que trouxemos conosco, as portas que abrimos e as coisas que constru\u00edmos, tornaram nossa mera presen\u00e7a em suas terras um ato de viol\u00eancia. Infelizmente, embora n\u00e3o tiv\u00e9ssemos sido n\u00f3s, outra pessoa teria feito isso, porque o governo n\u00e3o aceita um n\u00e3o como resposta.<\/p>\n<p>Foi perturbador ver a maneira como as coisas aconteceram porque realmente vimos as pessoas como amigos. No come\u00e7o, parec\u00edamos muito diferentes: eles n\u00e3o usavam camisas e cal\u00e7as como n\u00f3s, arcos e flechas eram suas armas principais, e pareciam surpresos com a tentativa de Orlando de abra\u00e7ar o chefe &#8211; embora eu ainda n\u00e3o tenha certeza se \u00a0abra\u00e7ar n\u00e3o faz parte de sua cultura ou se era porque ele estaba abra\u00e7ando o chefe. A maior barreira que eu acho que n\u00f3s tivemos que atravessar foi a da linguagem, mas, uma vez que conseguimos estabelecer uma forma de comunica\u00e7\u00e3o, fomos capazes de desenvolver relacionamentos mais significativos. Eles foram gentis e acolhedores, e dispostos a nos ensinar seus costumes, e n\u00f3s realmente temos muito a aprender com eles.<\/p>\n<p>Os brasileiros brancos e \u201ccivilizados\u201d muitas vezes desrespeitaram os povos ind\u00edgenas que viviam nessas terras, como os Kaiabi, alegando que suas terras estavam desocupadas apesar de claramente terem donos. Ainda, \u201ccada povo xinguano possui um acervo milenar de conhecimentos peculiares sobre a natureza\u201d (almanaque, 2011). Muitas pessoas no poder consideravam os ind\u00edgenas n\u00e3o civilizados, mas eles s\u00e3o pessoas que aprenderam a conviver com a terra e os recursos que ela prov\u00ea, enquanto tudo o que parece nos importar \u00e9 destru\u00ed-la: ent\u00e3o, quem s\u00e3o os b\u00e1rbaros reais?<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s din\u00e2micas de poder em jogo e ao abuso e manipula\u00e7\u00e3o do governo, conseguimos, pelo menos, abrir o caminho para a cria\u00e7\u00e3o do Parque Ind\u00edgena do Xingu que re\u00fane 16 povos. Foi criado em 1961, anos depois de come\u00e7armos a nossa expedi\u00e7\u00e3o, e embora seja a maior reserva \u00a0para povos ind\u00edgenas nas Am\u00e9ricas(um territ\u00f3rio de 2.825.470 hectares,) em realidade, \u00e9 apenas um remanescente da rica cultura e de tribos variadas que existiam quando chegamos. Ainda mais, \u201cestima-se que na \u00e9poca em que os portugueses chegaram, havia 5 milh\u00f5es de pessoas divididas em mais de mil povos ind\u00edgenas\u201d (almanaque, 2011). Eu me pergunto, a qual lugar no mundo pertencem aqueles que nao sao bem vindos na sua propria casa?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filme Xingu: Um Lugar no Mundo Karina Aguilar Guerrero Setembro 28, 2018 Nossas aventuras come\u00e7aram nos anos 1940. O governo brasileiro montou uma equipe de pessoas aventureiras dispostas a explorar, mas desde o in\u00edcio, o processo de reunir esse grupo foi um pouco estranho. 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