{"id":683,"date":"2019-01-20T21:35:50","date_gmt":"2019-01-20T21:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/?page_id=683"},"modified":"2019-01-20T22:29:54","modified_gmt":"2019-01-20T22:29:54","slug":"belo-monte-por-karina-aguilar-guerrero","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/outros-textos\/belo-monte-por-karina-aguilar-guerrero\/","title":{"rendered":"Belo Monte: &#8220;anatomia de um etnoc\u00eddio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Belo Monte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Texto escrito a partir da leitura de Eliane Brum, \u201cBelo Monte: a anatomia de um etnoc\u00eddio.\u201d Entrevista com a procuradora Thais Santi<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Por Karina Aguilar Guerrero<\/strong><\/p>\n<p>Outubro 20, 2018<\/p>\n<p>Infelizmente, a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte pode ser classificada como o \u201cmundo em que tudo \u00e9 poss\u00edvel\u201d, exceto a sobreviv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas. Neste mundo, as leis falham e o esgotamento de recursos, a morte cultural, e o genoc\u00eddio abundam. Em lugares como Belo Monte, podemos ver o que acontece quando as pessoas s\u00e3o desumanizadas apenas por serem diferentes. Neste local (na cidade de Altamira), esse processo come\u00e7ou com a depend\u00eancia criada pela Norte Energia. Essa depend\u00eancia pode ter muitos efeitos negativos, n\u00e3o apenas na vida f\u00edsica dos povos ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m em sua vida espiritual e cultural. Antonio e Dulcineia descrevem a situa\u00e7\u00e3o dizendo que \u00e9 \u201ca primeira vez que precisam comprar o que comem, a primeira vez que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprar o que comem, a primeira fome\u201d (Brum, 2018). Ao impedirem sua capacidade de auto-sustentac\u00e3o, a usina destruiu uma grande parte da cultura ribeirinha. Al\u00e9m do mais, mesmo que n\u00e3o tenham sido deslocados, a destrui\u00e7\u00e3o da vida florestal que ocorreu para construir a usina tamb\u00e9m torna extremamente dif\u00edcil para os ribeirinhos manterem essa parte da sua cultura. \u201cSer ribeirinho e\u0301 ter uma identidade singular, determinada por uma rela\u00e7\u00e3o intima com a floresta e o rio\u201d (Brum, 2018). N\u00e3o s\u00f3 isso, ao arruinar a estrutura pr\u00e9-estabelecida, eles elevaram o alcoolismo e os conflitos entre aldeias e a gente ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Os conflitos e a press\u00e3o das pessoas que lucram com a usina obrigaram os povos ind\u00edgenas a n\u00e3o s\u00f3 deixarem suas casas, mas tamb\u00e9m a viver em extrema pobreza em lugares que n\u00e3o foram realmente projetados para suportar tanto, lugares onde falta estrutura e seguran\u00e7a. Brum d\u00e1 um exemplo disso quando ela diz, \u201cUma escola constru\u00edda para n\u00e3o durar, quando o que deveria ter sido feito era ampliar o acesso a\u0300 educa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de impacto da hidrel\u00e9trica\u201d (2014). As pessoas no poder tiram tudo o que os ribeirinhos possuem e fornecem quase nada que possa realmente resolver seus problemas.<\/p>\n<p>Todas as coisas que s\u00e3o destru\u00eddas por este projeto s\u00e3o insubstitu\u00edveis. O governo usa \u201cos rios amaz\u00f4nicos, o recurso mais precioso, aquele que estar\u00e1 escasso no futuro, para produzir energia\u201d (Brum, 2014). Esses rios, essas florestas, esses animais &#8211; assim como os seres humanos &#8211; fazem parte de um ecossistema co-dependente. O governo e as empresas que apoiam a usina hidrel\u00e9trica n\u00e3o parecem perceber que, embora o esgotamento desses recursos tenha um impacto primeiro e mais forte sobre os povos ind\u00edgenas, eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos afetados. As pessoas em todo o Brasil e em todo o mundo precisam desses recursos para sobreviver. Se eles mantiverem esse ritmo de destrui\u00e7\u00e3o de recursos, culturas, e pessoas, logo nos encontraremos em um mundo onde nem mesmo a sobreviv\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belo Monte. Texto escrito a partir da leitura de Eliane Brum, \u201cBelo Monte: a anatomia de um etnoc\u00eddio.\u201d Entrevista com a procuradora Thais Santi Por Karina Aguilar Guerrero Outubro 20, 2018 Infelizmente, a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte pode ser classificada como o \u201cmundo em que tudo \u00e9 poss\u00edvel\u201d, exceto a sobreviv\u00eancia dos<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/outros-textos\/belo-monte-por-karina-aguilar-guerrero\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":800,"featured_media":0,"parent":669,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[22,31,24,32],"class_list":["post-683","page","type-page","status-publish","hentry","tag-belo-monte","tag-eliane-brum","tag-ribeirinhos","tag-thais-santi","post-preview"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/800"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=683"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":689,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/683\/revisions\/689"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/commons.princeton.edu\/indigenous-brazil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}